Pular para o conteúdo
Arquitetura do Impossível
Tuneladora branca e cilíndrica exposta num jardim de rotatória, com a cabeça de corte vermelha em forma de roda à esquerda e a inscrição em francês Hommage aux bâtisseurs du tunnel no corpo A tuneladora T4 "Virginie", que cavou o túnel de serviço francês sob a terra, exposta em Coquelles em 2013: 320 toneladas e 5,59 m de diâmetro, segundo a placa dela. — Lionel Allorge · CC BY-SA 3.0
Obra 14 · Mundo

Eurotúnel

Sob o estreito de Dover, entre Folkestone, Kent, Inglaterra, e Coquelles, Pas-de-Calais, França · 1987–1994

Cavar três túneis de 50 quilômetros, quase 40 deles sob o mar, a partir de duas costas e de dois países com mapas diferentes, seguindo uma única camada de rocha mole, para que as máquinas se encontrassem no meio sem nenhum dinheiro de governo.

Os ingleses começaram a cavar um túnel até a França em 1880, a partir dos penhascos de Dover, no condado de Kent, e pararam por medo de uma invasão. Tentaram de novo em 1974 e pararam pelo custo. Na terceira vez, entre 1987 e 1994, ninguém do governo pôs um centavo: o tratado entre os dois países proibia.

O que tornou a obra possível foi uma faixa de rocha. Entre o giz duro de cima e a argila de baixo, sob o fundo do mar, corre uma camada de giz-margoso, mole o bastante para ser cortada e impermeável o bastante para segurar a água do Canal. Onze tuneladoras seguiram essa camada, seis saindo da Inglaterra e cinco da França, e em 1º de dezembro de 1990 as duas pontas do túnel de serviço se encontraram a 22,3 quilômetros da costa inglesa.

FICHAFicha da obra

Por quêLigar a Grã-Bretanha ao continente por terra, com trens de passageiros e trens que carregam carros e caminhões. A ideia era antiga: o primeiro projeto é de 1802, do engenheiro francês Albert Mathieu-Favier, e a empresa que hoje opera o túnel conta 139 projetos estudados desde então.o número de projetos é da própria operadora2+ fontes
As tentativas anterioresEm 1880–1882, a máquina de ar comprimido de Beaumont e English cavou perto de 2 km a partir de Shakespeare Cliff, em Dover, e houve galeria também em Sangatte, na França; a obra parou por medo militar. Em 1974 as obras recomeçaram e, em 20/01/1975, o governo britânico desistiu pelo custo.quanto se cavou em 1974 diverge: de 250 metros a uma milha, conforme a fonte2+ fontes
Quem decidiuMargaret Thatcher e François Mitterrand escolheram em janeiro de 1986 a proposta da Eurotunnel: três túneis só ferroviários, orçada em £ 2,6 bilhões, uma das duas mais baratas entre as quatro finalistas. Tratado de Canterbury em 12/02/1986; concessão em 14/03/1986.2+ fontes
Quem construiuA TransManche Link (TML), consórcio de dez construtoras, cinco britânicas e cinco francesas, com cinco bancos fundadores. Dois terços do túnel foram escavados do lado inglês, a partir de Shakespeare Cliff, e um terço do lado francês, a partir de um poço gigante em Sangatte.2+ fontes
Os túneisDois túneis ferroviários de via única, com 7,6 m de diâmetro interno, e um túnel de serviço de 4,8 m entre eles, ligados por 270 galerias transversais. Passam a cerca de 40 m abaixo do fundo do mar, numa camada de giz-margoso.2+ fontes
As tuneladorasOnze: seis britânicas, abertas, e cinco francesas, fechadas e seladas para 11 bar de pressão, porque do lado francês o giz era fraturado e cheio de água. As francesas tinham nome de mulher: Brigitte, Europa, Catherine, Virginie e Pascaline, que virou Séverine ao voltar para o último túnel.a pressão de projeto vem da ficha técnica dos construtores franceses2+ fontes
PrazoEscavação iniciada em dezembro de 1987 do lado inglês e em 28/02/1988 do lado francês. Encontro do túnel de serviço em 01/12/1990; dos ferroviários em 22/05 e 28/06/1991. Entregue à Eurotunnel em 10/12/1993 e inaugurado em 06/05/1994.o dia de início do lado inglês diverge entre 1º e 15 de dezembro de 19872+ fontes
O encontroEm 01/12/1990, às 12h12, a 22,3 km da Inglaterra e 15,6 km da França, o britânico Graham Fagg e o francês Philippe Cozette apertaram as mãos no túnel de serviço. As máquinas tinham parado a 100 m uma da outra; o desvio medido foi de cerca de 36 cm de lado e 58 mm de altura.duas medições técnicas: 358 mm e 361 mm de desvio lateral2+ fontes
OperáriosMais de 13 mil no auge, segundo a operadora e a Institution of Civil Engineers; 15 mil, segundo outras fontes. Só o canteiro francês chegou a 5.234 pessoas em agosto de 1990. Trabalhava-se 24 horas por dia, dos dois lados.diverge
Mortes na construçãoA conta mais repetida é de 10 mortos, 8 deles britânicos. A placa em memória dos trabalhadores em Samphire Hoe, Dover, posta pela operadora e pela construtora, traz 11 nomes, entre 1986 e 1992. Dois são franceses: Guy Joly, esmagado pela máquina sob o mar em 1989, e René Saint-Georges, atingido por um veículo no canteiro em 1990. Em 1990, o gerente de segurança da construtora disse que havia pelo menos cinco mortes do lado francês, três não divulgadas.diverge
CustoOrçado em £ 2,6 bilhões em 1985, terminou em £ 4,65 bilhões nos mesmos preços de 1985, um estouro de cerca de 80%. Em libras correntes de 1994, cerca de £ 9,5 bilhões, segundo um estudo de caso do Global Infrastructure Hub.pelo índice de preços ao varejo britânico (1985 = 373,2; 2025 = 1.588,6), os £ 4,65 bilhões de 1985 equivalem a cerca de £ 20 bilhões de 20252+ fontes
Quem pagouSó dinheiro privado: o artigo 1 do tratado proíbe fundos e garantias de governo. Foram cinco emissões de ações, somando £ 2,43 bilhões até 1994, e um empréstimo repartido entre mais de 200 bancos.o total em ações vem de um artigo do gerente financeiro da própria empresa2+ fontes
A criseEm 14/09/1995 a Eurotunnel suspendeu o pagamento de juros. Houve reestruturações em 1997, quando a concessão foi estendida até 2086, e em 2006–2007, sob proteção judicial em Paris, com a dívida reduzida de cerca de € 9 bilhões para cerca de € 4 bilhões.2+ fontes
IncêndiosEm 18/11/1996, um trem de caminhões pegou fogo com 34 pessoas a bordo, sem mortos. Em 11/09/2008, outro incêndio durou cerca de 16 horas; 650 m de revestimento foram trocados e o serviço pleno só voltou em fevereiro de 2009.os números do incêndio de 2008 aparecem numa fonte só2+ fontes
HojeOperado pela Getlink, nome da Eurotunnel desde 2017. Cerca de 400 trens por dia e meio bilhão de passageiros em 30 anos, segundo a operadora. Em junho de 2026, a empresa recusou que o andarilho Karl Bushby atravessasse o túnel de serviço a pé para fechar uma volta ao mundo de 28 anos.os números de tráfego são da operadora2+ fontes
2+ fontes Confirmado em duas ou mais fontes independentes.1 fonte Uma fonte só; o texto diz qual.diverge As fontes discordam; mostramos as versões e não escolhemos.sem registro Ninguém registrou. Dizemos isso em vez de inventar.

01Cem anos de túneis interrompidos

A primeira escavação séria começou em 1880. Uma máquina movida a ar comprimido, desenhada pelo capitão Thomas English e creditada ao coronel Frederick Beaumont, cortou o giz a partir de Abbot's Cliff e de Shakespeare Cliff, perto de Dover, na Inglaterra. Em 1882, a galeria de Shakespeare Cliff tinha quase dois quilômetros, e os franceses cavavam a sua a partir de Sangatte, perto de Calais. A obra parou por um medo que não tinha nada de geológico: na imprensa e no Parlamento britânicos, o túnel virou a porta de entrada de um exército inimigo.

A tentativa seguinte veio quase um século depois. Edward Heath e Georges Pompidou assinaram um tratado em 1973, e as obras recomeçaram em Shakespeare Cliff em 1974. Em 20 de janeiro de 1975, o ministro Anthony Crosland anunciou à Câmara dos Comuns que o governo de Harold Wilson desistia. A ligação ferroviária do lado inglês tinha ficado cara demais, e abandonar custaria ao contribuinte cerca de £ 20 milhões. Quanto se cavou naquela vez as fontes não concordam: algumas falam em 250 metros de túnel de teste, outras em uma milha.

FIG. 02Cabeça de corte de uma tuneladora no centro de exposições da Eurotunnel em Folkestone, em setembro de 1992, com a obra ainda em andamento.Ben Brooksbank · CC BY-SA 2.0

02Sem um centavo de governo

Quando o assunto voltou, nos anos 1980, Margaret Thatcher impôs uma condição. O Tratado de Canterbury, assinado com François Mitterrand em 12 de fevereiro de 1986, diz no artigo 1 que o túnel será financiado sem recurso a fundos ou garantias de governo. Segundo Michael Grant, que cuidava das finanças da Eurotunnel, era a única base sobre a qual Thatcher aceitaria o projeto.

Quatro propostas chegaram à final: uma ponte pênsil, uma combinação de ponte e túnel, quatro túneis com estrada e trilho, e a da Eurotunnel, com três túneis só ferroviários, em que carros e caminhões viajam dentro do trem. Orçada em £ 2,6 bilhões, pouco acima dos quatro túneis da proposta rival e bem abaixo das duas pontes, foi a escolhida, em janeiro de 1986. Dois dos túneis levam os trens, um em cada sentido. O terceiro, menor, passa entre eles: é o túnel de serviço, por onde circulam a manutenção e o socorro, e onde se refugia quem precisar sair de um trem parado.

FIG. 03O canteiro do lado inglês, em Kent, em maio de 1991, com trens de obra e viadutos ainda em construção.Terry Foulger (publicado por The Basingstoker) · CC BY-SA 2.0

03Uma faixa de giz sob o mar

O traçado não foi escolhido no mapa, foi escolhido na rocha. Sondagens feitas desde o século XIX, mais de cem furos no fundo do mar e cerca de mil quilômetros de linhas sísmicas mostraram uma camada de giz-margoso: uma rocha calcária com argila, fraca, homogênea e praticamente impermeável. Por cima dela fica o giz duro e fraturado; por baixo, argila. Os túneis passam a cerca de 40 metros abaixo do fundo do mar, acompanhando essa camada.

Do lado inglês ela é bem comportada. Do lado francês, nos primeiros quilômetros sob o mar, o giz é rachado e encharcado. Por isso as duas margens usaram máquinas diferentes. As seis tuneladoras britânicas eram abertas. As cinco francesas eram fechadas, com a câmara de corte selada para aguentar 11 bar de pressão de água, e o giz escavado passava por uma eclusa antes de chegar aos vagões. Em Sangatte, longe da praia, os franceses abriram um poço impermeável de cerca de 50 metros de largura e mais de 60 de profundidade, de onde partiram todas as suas máquinas.

Dois terços do túnel foram escavados da Inglaterra e um terço da França. Os três túneis, somados, dão cerca de 150 quilômetros, escavados 24 horas por dia, e a tolerância de alinhamento pedida aos construtores era de 15 centímetros.

FIG. 04Abril de 1991: o terreno de Samphire Hoe sendo feito com o giz escavado do túnel, ao pé dos penhascos de Dover.Anthony Parkes · CC BY-SA 2.0

04O encontro de 1º de dezembro de 1990

O túnel de serviço foi na frente, como sonda dos outros dois. Os topógrafos tinham um problema invisível: os mapas britânicos e franceses usavam sistemas de projeção diferentes, e nem o nível do mar coincidia nas duas costas. Depois do encontro, a diferença medida entre os níveis do mar das duas costas foi de cerca de 36 centímetros.

As duas máquinas pararam a 100 metros uma da outra. Mediram o desvio: 358 milímetros de lado e 58 de altura, segundo a ficha técnica dos construtores franceses, ou 361 e 58, segundo uma medição alemã publicada em 1991. A máquina inglesa avançou mais 50 metros numa linha corrigida, foi desviada numa curva fechada e enterrada ali mesmo; a francesa foi desmontada, e o último trecho foi cavado com ferramentas de mão.

Em 1º de dezembro de 1990, às 12h12, a 22,3 quilômetros da Inglaterra e 15,6 da França, o britânico Graham Fagg e o francês Philippe Cozette apertaram as mãos pela abertura. Os túneis ferroviários se encontraram em 22 de maio e 28 de junho de 1991. Para que as máquinas não batessem de frente, cada tuneladora inglesa foi desviada para baixo do piso e enterrada em concreto, e a francesa passou por cima.

FIG. 05Um trem de caminhões sai do túnel no portal francês, em Coquelles, em agosto de 2014.Florian Fèvre · CC BY-SA 4.0

05Quantos trabalharam e quantos morreram

A operadora fala em mais de 13 mil trabalhadores no auge, recrutados sobretudo nas regiões dos dois lados do Canal; outras fontes falam em 15 mil. Só o canteiro francês chegou a 5.234 pessoas, entre empregados e subcontratados, em agosto de 1990.

O número de mortos também tem duas versões. A mais repetida é de dez, oito deles britânicos, a maioria nos primeiros meses de escavação. A placa que a operadora e a construtora puseram em Samphire Hoe, à beira do mar em Dover, traz onze nomes, com as datas de 1986 a 1992. Dois deles são franceses: Guy Joly, de 29 anos, morto em agosto de 1989 no quilômetro 4,1 do túnel de serviço sob o mar, e René Saint-Georges, de 56, atingido por um veículo no pátio da fábrica de aduelas em maio de 1990. Em outubro de 1990, o gerente de segurança da construtora afirmou que o lado francês tinha pelo menos cinco mortos, três deles não divulgados, porque a França registrava acidentes de outro jeito.

Samphire Hoe é, ela mesma, um pedaço da obra: um terreno de cerca de 30 hectares feito com 4,9 milhões de metros cúbicos do giz escavado do lado inglês, ao pé dos penhascos. Do lado francês, a lama de giz foi bombeada para um vale atrás de um dique.

FIG. 06O memorial aos trabalhadores mortos na construção, em Samphire Hoe, Dover: onze nomes, entre 1986 e 1992.Nilfanion · CC BY-SA 4.0

06A conta que estourou

Em preços de 1985, o túnel orçado em £ 2,6 bilhões custou £ 4,65 bilhões, cerca de 80% a mais, segundo a avaliação do economista Richard Anguera. Em libras de 1994, isso dá perto de £ 9,5 bilhões. Pelo índice de preços ao varejo britânico, os £ 4,65 bilhões de 1985 equivalem a algo como £ 20 bilhões de 2025.

Segundo a própria empresa, as tuneladoras avançaram mais devagar que o previsto no começo, a logística foi subestimada e os trens custaram muito mais do que se pensava. Em 1992, a construtora cobrou cerca de £ 1,5 bilhão a mais, e a Eurotunnel teve de pagar £ 50 milhões por mês enquanto a arbitragem não decidia. Foram cinco emissões de ações e um empréstimo repartido entre mais de 200 bancos. Em setembro de 1995, pouco mais de um ano depois da inauguração, a empresa suspendeu o pagamento de juros. Vieram reestruturações em 1997 e em 2006–2007, esta sob proteção da Justiça em Paris, com a dívida cortada de cerca de € 9 bilhões para cerca de € 4 bilhões. Para Anguera, a economia britânica teria ficado melhor se o túnel nunca tivesse sido construído.

07Fogo, fronteira e um homem a pé

A rainha Elizabeth II e o presidente Mitterrand inauguraram o túnel em 6 de maio de 1994. Dois anos depois, em 18 de novembro de 1996, um trem de caminhões pegou fogo a caminho da Inglaterra, com 34 pessoas a bordo; ninguém morreu. Em 11 de setembro de 2008, outro incêndio durou cerca de 16 horas e obrigou a trocar 650 metros de revestimento. No verão de 2015, migrantes tentavam entrar no terminal de Coquelles às centenas e, numa noite de julho, entre 1.500 e 2.000 vezes; cerca de dez morreram perto do terminal em poucas semanas. Desde o Brexit, o frete voltou a passar por alfândega.

Em 30 de dezembro de 2025, uma falha na alimentação elétrica e um trem parado fecharam o túnel às vésperas do ano-novo, e a Eurostar cancelou os trens de e para Londres daquele dia. Em junho de 2026, a operadora recusou o pedido do britânico Karl Bushby, que caminhava desde 1998 a partir do Chile, de atravessar o Canal a pé pelo túnel de serviço: fechá-lo por 15 horas, disse a empresa, poria em risco os trens de passageiros e a manutenção. O túnel do aperto de mãos de 1990 continua sendo, todos os dias, a saída de emergência dos outros dois.

MITOSO que circula e o que o registro diz

  • O que circula

    O túnel foi uma obra pública dos governos britânico e francês.

    O que o registro diz

    O tratado de 1986 proíbe dinheiro e garantia de governo. A obra foi paga por acionistas e por um empréstimo de mais de 200 bancos, e a empresa passou mais de uma década renegociando a dívida, de 1995 a 2007.

  • O que circula

    Os dois lados se encontraram com erro de poucos centímetros.

    O que o registro diz

    O desvio medido no túnel de serviço foi de cerca de 36 centímetros de lado e 58 milímetros de altura, depois de 22,3 km de um lado e 15,6 km do outro. É uma precisão notável, mas não de poucos centímetros, e o "58 centímetros" que às vezes aparece para a altura é erro de unidade.

  • O que circula

    Morreram dez operários na construção.

    O que o registro diz

    Dez é a conta mais citada, com oito britânicos. A placa em memória dos trabalhadores, em Dover, tem onze nomes, e o gerente de segurança da construtora disse em 1990 que havia mortes do lado francês que não tinham sido divulgadas.

  • O que circula

    Custou £ 4,65 bilhões. Ou £ 9,5. Ou mais de 10.

    O que o registro diz

    Os três números circulam e medem coisas diferentes: o custo em preços de 1985, o mesmo custo em libras de 1994, e a conta com o financiamento. Em preços constantes, o estouro sobre o orçamento de 1985 foi de cerca de 80%.

  • O que circula

    Os ingleses nunca quiseram o túnel.

    O que o registro diz

    Cavaram em 1880 e em 1974. Na primeira vez pararam por medo de invasão militar; na segunda, pelo custo.

PERGUNTASPerguntas frequentes

Quando foi construído o Eurotúnel?

Entre 1987 e 1994. A escavação começou em dezembro de 1987 do lado inglês e em 28/02/1988 do lado francês; o túnel de serviço se encontrou em 01/12/1990, e a inauguração foi em 06/05/1994.

Qual o comprimento e a profundidade do Eurotúnel?

Cada um dos três túneis tem 50 km, cerca de 38 deles sob o mar. Eles passam a cerca de 40 m abaixo do fundo do mar, acompanhando uma camada de giz-margoso entre o giz duro de cima e a argila de baixo.

Como foi construído o Eurotúnel?

Onze tuneladoras, seis saindo da Inglaterra e cinco da França, cavaram dois túneis ferroviários e um túnel de serviço entre eles, seguindo uma camada de giz-margoso mole e impermeável. Quando os dois lados do túnel de serviço se encontraram, o desvio foi de cerca de 36 cm de lado e 58 mm de altura.

Quantas pessoas morreram na construção do Eurotúnel?

As versões divergem: a conta mais citada é de 10 mortos, 8 deles britânicos, mas a placa em memória dos trabalhadores em Dover traz 11 nomes. Em 1990, o gerente de segurança da construtora disse que havia pelo menos cinco mortes do lado francês, três não divulgadas.

Quanto custou o Eurotúnel?

Orçado em £ 2,6 bilhões em 1985, terminou em £ 4,65 bilhões nos mesmos preços de 1985, um estouro de cerca de 80%. Em libras de 1994, cerca de £ 9,5 bilhões, pagos só com dinheiro privado, porque o tratado proibia fundos de governo.

Episódio 14 · estreia 7 de janeiro de 2027

Episódio em produção

Toda semana, uma obra que não deveria ter ficado de pé.

Ver no YouTube
Caixa de vidro escuro e concreto suspensa sobre a calçada, presa entre dois grandes pórticos vermelhos, com pedestres passando por baixo e prédios altos ao fundo
Próximo episódio · Obra 15 · estreia 14 jan 2027

MASP

Avenida Paulista, Bela Vista, São Paulo, Brasil · 1960–1968

Suspender um museu inteiro oito metros acima da Avenida Paulista, sobre quatro pilares e um vão de mais de 70 metros sem nenhuma coluna no meio, com uma técnica de concreto protendido que o próprio engenheiro teve de inventar.

Ler a obra →

MAISLeia também

FONTESFontes

  1. Pierre-Jean Pompée, "Channel Tunnel — 3 tunnels", Amicale des Bâtisseurs du Tunnel sous la Manche, 1995 — amitunnel.wordpress.com
  2. N. Korittke, "Vorgehensweise und Genauigkeit beim Durchschlag des Eurotunnels", Glückauf 127, 1991 (resumo) — osti.gov
  3. Michael Grant, "Financing Eurotunnel", Japan Railway & Transport Review 11, abril de 1997 — ejrcf.or.jp
  4. Getlink, "The Group's history" — getlinkgroup.com
  5. Getlink, "1994–2024 The Channel Tunnel — 30 years of unique history", 06/05/2024 — press.getlinkgroup.com
  6. Getlink Press, "First historic breakthrough under the Channel" — press.getlinkgroup.com
  7. Amicale des Bâtisseurs du Tunnel sous la Manche, "The tunnel builders remember" — batisseurs-tunnel.com
  8. Richard Anguera, "The Channel Tunnel — an ex post economic evaluation", Transportation Research Part A 40(4), 2006 — econpapers.repec.org
  9. Global Infrastructure Hub, "The Channel Tunnel (United Kingdom – France)", estudo de caso — cdn.gihub.org
  10. Institution of Civil Engineers, "How was the Channel Tunnel built?" — ice.org.uk
  11. Câmara dos Comuns do Reino Unido, declaração de Anthony Crosland sobre o túnel, 20/01/1975 (Hansard) — api.parliament.uk
  12. Câmara dos Lordes do Reino Unido, "Channel Tunnel Workforce: Health and Safety", 20/06/1990 (Hansard) — api.parliament.uk
  13. Câmara dos Lordes do Reino Unido, "Channel Tunnel: Fire", 19/11/1996 (Hansard) — api.parliament.uk
  14. Construction News, "Five deaths on French side of Channel Tunnel, says Transmanche Link's safety manager", 04/10/1990 — constructionnews.co.uk
  15. Subterranea Britannica, "Channel Tunnel 1880 attempt" — subbrit.org.uk
  16. Office for National Statistics, "Retail Prices Index: long run series" (CDKO) — ons.gov.uk
  17. CNBC, "Eurostar hit by power outage during height of New Year travel season", 30/12/2025 — cnbc.com
  18. RTÉ, "Some Channel Tunnel services resume after power failure", 30/12/2025 — rte.ie
  19. ExplorersWeb, "Karl Bushby refused entry into Channel Tunnel", 19/06/2026 — explorersweb.com
  20. Euro Weekly News, "Karl Bushby's 28-year walk home to Hull hits Channel Tunnel block", 07/08/2026 — euroweeklynews.com
  21. Railway Gazette International, "Virgin Trains' Channel Tunnel plans are 'moving at pace' as access to High Speed 1 is approved", 17/08/2026 — railwaygazette.com
  22. Wikipédia, "Channel Tunnel" e "Construction du tunnel sous la Manche" (ponto de partida) — en.wikipedia.org

Imagens

  • Fig. 01 — A tuneladora T4 "Virginie", que cavou o túnel de serviço francês sob a terra, exposta em Coquelles em 2013: 320 toneladas e 5,59 m de diâmetro, segundo a placa dela: Lionel Allorge · CC BY-SA 3.0
  • Fig. 02 — Cabeça de corte de uma tuneladora no centro de exposições da Eurotunnel em Folkestone, em setembro de 1992, com a obra ainda em andamento: Ben Brooksbank · CC BY-SA 2.0
  • Fig. 03 — O canteiro do lado inglês, em Kent, em maio de 1991, com trens de obra e viadutos ainda em construção: Terry Foulger (publicado por The Basingstoker) · CC BY-SA 2.0
  • Fig. 04 — Abril de 1991: o terreno de Samphire Hoe sendo feito com o giz escavado do túnel, ao pé dos penhascos de Dover: Anthony Parkes · CC BY-SA 2.0
  • Fig. 05 — Um trem de caminhões sai do túnel no portal francês, em Coquelles, em agosto de 2014: Florian Fèvre · CC BY-SA 4.0
  • Fig. 06 — O memorial aos trabalhadores mortos na construção, em Samphire Hoe, Dover: onze nomes, entre 1986 e 1992: Nilfanion · CC BY-SA 4.0