Em 1954, a Bélgica preparava a primeira grande exposição universal do pós-guerra, no planalto do Heysel, em Bruxelas, e pediu às suas indústrias do metal um edifício que mostrasse, de forma espetacular, o que elas sabiam fazer. O engenheiro André Waterkeyn respondeu com uma ideia que não era prédio nenhum: a célula elementar de um cristal de ferro, nove átomos, ampliada cerca de 165 bilhões de vezes.
Transformar o desenho de um livro de química num edifício visitável significava pendurar oito esferas de 18 metros nos vértices de um cubo de 47 metros de aresta, com uma nona no centro, e pôr o cubo de pé sobre um dos vértices. A forma foi testada em túnel de vento antes de existir, apoiou-se também em três bipés em forma de V invertido e ficou pronta pouco antes da abertura da Expo 58. Era para ser desmontada no fim daquele ano. Continua lá.
FICHAFicha da obra
| Por quê | A Expo 58, primeira grande exposição universal depois da Segunda Guerra, queria um símbolo. Segundo o inventário do patrimônio de Bruxelas, o comissário-geral, barão Moens de Fernig, pediu em 1954 às indústrias metalúrgicas belgas um edifício de forma inédita que exibisse o seu saber. O tema escolhido foi o átomo e o uso pacífico da energia nuclear.o nome do barão vem de uma fonte só | 2+ fontes |
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| Quem pagou | Uma associação sem fins lucrativos formada por três grupamentos industriais: o dos altos-fornos e aciarias belgas, a Fabrimétal (fabricações metálicas) e a união das indústrias de metais não ferrosos, com apoio dos poderes públicos. | 2+ fontes |
| A ideia | André Waterkeyn (1917–2005), engenheiro, diretor do departamento econômico da Fabrimétal. Os Arquivos da Cidade de Bruxelas datam a concepção de novembro de 1954; o primeiro projeto foi apresentado em janeiro de 1955. | 2+ fontes |
| Arquitetura e cálculo | Os irmãos André e Jean Polak, arquitetos, fizeram a transposição do conceito em edifício. A estabilidade foi calculada pelos engenheiros-consultores Artémy S. Joukoff e André Beckers. | 2+ fontes |
| Quem montou | Os Ateliers de Construction de Jambes-Namur, com guinchos elétricos e manuais e dezenas de quilômetros de cabo de aço, segundo a revista técnica Acier Stahl Steel, de 1958.o equipamento vem da revista; a empresa, de várias fontes | 2+ fontes |
| Prazo | Estudos e ensaios a partir de janeiro de 1955; fundações em março de 1956; primeiro mastro em janeiro de 1957; esferas montadas de outubro de 1957 a março de 1958. A conclusão é dada em 25/03/1958 pela associação que administra o edifício e às 2 horas de 17/04/1958, dia da abertura da Expo, pelo chefe de turma da obra.a data de conclusão diverge; o início não | diverge |
| Operários | Ninguém registrou quantos trabalharam no Atomium. Os 15 mil operários citados pela imprensa belga são os da Expo inteira. | sem registro |
| Mortes e acidentes | Nenhuma morte registrada nas fontes consultadas. O chefe de turma Frans Cools, em depoimento publicado em 2023, dizia que não houve acidente nenhum. | 1 fonte |
| Custo da construção | Não há número confiável publicado. Os valores que circulam em francos belgas não trazem fonte. | sem registro |
| Estrutura | Um cubo de 47 metros de aresta apoiado num vértice. A esfera de baixo pousa sobre um pavilhão circular de 26 metros; as três esferas baixas descansam sobre bipés em V invertido de uns 30 metros. Cada esfera tem doze arcos semicirculares de chapa em caixão como ossatura.a aresta de 47 m vem da revista técnica de 1958 | 2+ fontes |
| Medidas | 102 metros de altura; esferas de 18 metros; tubos de cerca de 3 metros de diâmetro e 29 de comprimento; escada rolante mais longa com 35 metros. | 2+ fontes |
| Revestimento | Em 1958, chapas finas de alumínio anodizado, 48 triângulos esféricos por esfera, quase 9.000 placas no total. Desde 2006, painéis de aço inoxidável. | 2+ fontes |
| O depois | Não era para sobreviver à Expo; ficou pelo sucesso. Os Arquivos da Cidade de Bruxelas registram uma restauração entre 1988 e 1993. Segundo a associação que o administra, esteve perto da demolição no fim dos anos 1990.que era provisório tem mais de uma fonte; o resto, uma cada | 1 fonte |
| Renovação | De março de 2004 a fevereiro de 2006, com projeto do escritório Conix. Reaberto em 14/02/2006 em cerimônia oficial e ao público em 18/02/2006. | 2+ fontes |
| Custo da renovação | 26 milhões de euros, numa versão; 25 milhões mais 2,5 milhões de sobrecusto do aço, na conta da RTBF, ou seja, 27,5 milhões. Pagaram a associação, o governo federal, a Região de Bruxelas-Capital e a Cidade de Bruxelas. | diverge |
| Hoje | Recorde de 850 mil visitantes em 2025, segundo o jornal L'Avenir. Em 2026, a programação dos 20 anos da renovação começou em 14 de fevereiro.o recorde vem de uma fonte; a programação de 2026, de várias | 1 fonte |
01Um cristal no meio da avenida
Bruxelas já tinha recebido outras exposições internacionais quando decidiu fazer a de 1958, no planalto do Heysel, no bairro de Laeken, onde a de 1935 havia deixado palácios e avenidas. Era a primeira exposição universal depois da Segunda Guerra, e a Bélgica vivia um momento de prosperidade. Os organizadores queriam romper com o desenho simétrico de 1935 e organizar o recinto inteiro a partir de um ponto focal.
Esse ponto seria um edifício pago pela indústria do metal. Três federações se juntaram numa associação sem fins lucrativos, e um engenheiro da Fabrimétal, André Waterkeyn, apresentou a ideia: em vez de um pavilhão, um cristal de ferro. Mais exatamente, a célula elementar do ferro, que os químicos chamam de cúbica de corpo centrado: oito átomos nos vértices de um cubo e um nono no centro. As esferas seriam os átomos; os tubos, as forças que os ligam. O nome, Atomium, falava da era atômica, e o plano era ocupar as esferas com exposições sobre o uso pacífico da energia nuclear.
02A conta dos 165 bilhões
O número que acompanha o Atomium desde 1958 é a ampliação: o cristal estaria aumentado cerca de 165 bilhões de vezes. O inventário dos Arquivos da Cidade de Bruxelas, de 2004, fala em mais de 150 bilhões. A conta se sustenta. Segundo a revista técnica Acier Stahl Steel, de 1958, a aresta do cubo mede 47 metros; no ferro de verdade, a aresta da célula mede pouco menos de três décimos de bilionésimo de metro. A divisão de uma pela outra dá cerca de 164 bilhões.
A mesma geometria explica a altura. Um cubo de 47 metros posto sobre um vértice tem, de uma ponta à outra, uns 81 metros entre os centros das esferas. Somam-se meia esfera em cima e meia embaixo, de 18 metros de diâmetro cada uma, e o pavilhão de entrada sobre o qual pousa a esfera de baixo. O resultado são os 102 metros do edifício. Coube aos irmãos André e Jean Polak, arquitetos, transformar o diagrama num prédio que se pudesse visitar, e aos engenheiros Artémy S. Joukoff e André Beckers fazer com que ele parasse em pé.
03Equilibrado num vértice, à espera do vento
Uma estrutura de esferas e tubos apoiada num ponto só não se parecia com nada que os engenheiros conhecessem. A associação que administra o Atomium afirma que os estudos começaram em janeiro de 1955 com ensaios em túnel de vento, porque calcular a resistência ao vento de um conjunto de esferas era, segundo ela, uma primeira mundial. O inventário do patrimônio de Bruxelas registra uma maquete submetida a ventos artificiais para testar a estabilidade.
O edifício que saiu desses ensaios não se apoia só no vértice. As três esferas mais baixas descansam sobre três bipés, estruturas em V invertido de uns 30 metros que levam escadas por dentro e serviam de saída aos visitantes. Na versão mais repetida da história, registrada na Wikipédia em inglês a partir do banco de dados Structurae, o projeto original não tinha esses apoios, e o túnel de vento mostrou que o conjunto tombaria com ventos de 80 km/h, quando a Bélgica já registrou rajadas de 140 km/h. As fontes institucionais confirmam os ensaios e os bipés, mas não detalham essa sequência.
Por dentro, cada esfera tem como esqueleto doze arcos semicirculares de chapa de aço em caixão, com uma ossatura secundária que segura o revestimento. Os tubos, de cerca de 3 metros de diâmetro, levam escadas, escadas rolantes, a mais longa com 35 metros, e, no tubo vertical do centro, um elevador de 5 metros por segundo, que o inventário de Bruxelas descreve como o mais rápido da Europa na época.
04Alpinistas pendurados em guinchos
As fundações começaram em março de 1956, sobre grupos de estacas cravadas a 17,5 metros. O primeiro mastro vertical subiu em janeiro de 1957, a esfera de base foi montada em maio, os bipés e o mastro central entre junho e setembro, e as esferas foram fechadas de outubro de 1957 a março de 1958. A montagem coube aos Ateliers de Construction de Jambes-Namur. A revista Acier Stahl Steel registrou o equipamento: doze guinchos elétricos, mais de quarenta guinchos manuais e 43 quilômetros de cabo de aço. Cada bipé, de 115 toneladas segundo a revista, ou 100 segundo a RTBF, foi montado no chão e erguido inteiro.
Quantos homens fizeram isso, ninguém registrou. O número de 15 mil operários que aparece na imprensa belga se refere à Expo inteira. O que existe é a memória de um deles. Frans Cools, chefe de turma da Jambes-Namur, contou ao jornal Gazet van Laakdal, que publicou seu obituário em 2023, que a equipe trabalhava pendurada em caçambas presas a guinchos, no máximo quatro por caçamba, e que eles se chamavam de alpinistas. Nos últimos nove meses, disse, trabalharam sem parar, inclusive nos fins de semana e feriados. Segundo ele, não houve acidente nenhum, e a obra só terminou às 2 horas da manhã de 17/04/1958, no próprio dia em que o rei Balduíno abriu a exposição. A associação que administra o edifício dá outra data de conclusão: 25 de março.
05Seis meses que viraram quase setenta anos
A Expo 58 ficou aberta de 17 de abril a 19 de outubro de 1958 e registrou 41.454.412 entradas. O Atomium, desprezado na época pelos críticos de arquitetura pelo gigantismo e pela forma, foi a atração mais procurada. Quando a exposição fechou, os pavilhões foram desmontados. O Atomium também deveria ter sido: segundo os Arquivos da Cidade de Bruxelas, ele não estava destinado a sobreviver à exposição, e foi a Cidade que quis mantê-lo, por causa do sucesso.
Ficar não significou ser cuidado. Os Arquivos registram uma restauração entre 1988 e 1993, mas o revestimento de alumínio de 1958 envelheceu e a estrutura passou a deixar entrar água. A associação que administra o edifício afirma que ele esteve perto de ser demolido no fim dos anos 1990, por falta de viabilidade. As contas de público da época divergem: o inventário de 2004 fala em perto de meio milhão de visitantes por ano; o jornal L'Avenir, em 2026, em cerca de 150 mil por ano antes da renovação.
06A pele nova
A renovação durou de março de 2004 a fevereiro de 2006, com projeto do escritório Conix. A estrutura metálica foi recuperada ou substituída, e o alumínio deu lugar ao aço inoxidável, mais resistente à corrosão e melhor isolante acústico, segundo a associação. Cada esfera era coberta por 48 grandes triângulos, e cada um deles, na versão de 1958, era um mosaico de chapas menores; por isso há fontes que contam 720 triângulos de alumínio por esfera. Os painéis novos reproduzem o desenho com falsas juntas. O edifício ganhou cerca de 100 toneladas e passou de 2.400 para 2.500 toneladas.
Para ajudar a pagar o revestimento novo, mil triângulos originais foram leiloados. O custo total aparece como 26 milhões de euros numa versão e como 25 milhões mais 2,5 milhões de sobrecusto do aço na conta da RTBF, a emissora pública belga. O Atomium reabriu em 14/02/2006, em cerimônia oficial, e ao público em 18 de fevereiro.
07Um cristal com direitos autorais
O Atomium é também um caso conhecido de direito de imagem. Em 2003, a sociedade belga de autores, SABAM, reivindicava direitos sobre reproduções do edifício no mundo todo. Desde 15 de julho de 2016, a lei belga permite reproduzir obras de arquitetura colocadas de forma permanente em lugar público, desde que isso não prejudique a exploração normal da obra. A associação que administra o Atomium continua a pedir que todo uso da imagem, comercial ou não, passe por autorização. Por isso as imagens desta página mostram o cristal que inspirou o edifício e a exposição que o cercou, e não o edifício.
Em 2025, segundo o L'Avenir, o Atomium recebeu 850 mil visitantes, recorde da sua história. Em 14/02/2026 começou a programação dos 20 anos da renovação, com três instalações de arte digital nas esferas e um podcast com operários, arquitetos e vizinhos da obra; quem nasceu em 18/02/2006 entra de graça o ano inteiro. Em setembro de 2026, as esferas receberam um festival de ciência aberto ao público. O edifício que deveria durar seis meses chegou a quase setenta anos.
MITOSO que circula e o que o registro diz
- O que circula
O Atomium representa uma molécula, ou um átomo.
O que o registro dizRepresenta um cristal: a célula elementar do ferro, com nove átomos, oito nos vértices de um cubo e um no centro. O nome fala da era atômica; a forma é de cristal.
- O que circula
Sempre foi de aço inoxidável.
O que o registro dizEm 1958 o revestimento era de alumínio anodizado. O aço inoxidável é da renovação de 2004 a 2006.
- O que circula
Foi construído para ficar.
O que o registro dizSegundo os Arquivos da Cidade de Bruxelas, não estava destinado a sobreviver à Expo 58. Ficou porque fez sucesso.
- O que circula
Quinze mil operários construíram o Atomium.
O que o registro dizOs 15 mil citados pela imprensa belga são os da Expo inteira. Quantos trabalharam no Atomium, ninguém registrou.
- O que circula
A ampliação de 165 bilhões de vezes é exagero de propaganda.
O que o registro dizA conta fecha: a aresta de 47 metros do edifício dividida pela aresta da célula do ferro, pouco menos de três décimos de nanômetro, dá cerca de 164 bilhões.
PERGUNTASPerguntas frequentes
O que representa o Atomium?
Um cristal: a célula elementar do ferro, com nove átomos, oito nos vértices de um cubo e um no centro, ampliada cerca de 165 bilhões de vezes. O nome fala da era atômica, mas a forma não é de molécula nem de átomo.
Quem projetou o Atomium?
A ideia é do engenheiro André Waterkeyn, da Fabrimétal. Os arquitetos André e Jean Polak transformaram o conceito em edifício, os engenheiros Artémy S. Joukoff e André Beckers calcularam a estabilidade, e a montagem coube aos Ateliers de Construction de Jambes-Namur.
Quando foi construído o Atomium?
Para a Expo 58, em Bruxelas. As fundações começaram em março de 1956 e as esferas foram montadas de outubro de 1957 a março de 1958. As fontes divergem sobre a conclusão: 25/03/1958 ou a madrugada de 17/04/1958, dia da abertura da Expo.
Qual a altura do Atomium?
102 m, do chão ao alto da esfera de cima. São nove esferas de 18 metros de diâmetro, nos vértices e no centro de um cubo de 47 metros de aresta posto de pé sobre um vértice.
O Atomium era para ser desmontado?
Sim. Segundo os Arquivos da Cidade de Bruxelas, ele não estava destinado a sobreviver à Expo 58 e ficou por causa do sucesso. Na renovação de 2004 a 2006, o revestimento de alumínio deu lugar ao aço inoxidável.
Episódio em produção
Toda semana, uma obra que não deveria ter ficado de pé.

Astrodome
NRG Park, Houston, Texas, Estados Unidos · 1962–1965Cobrir um estádio de beisebol inteiro com uma cúpula de aço de quase 196 metros de vão, sem uma coluna no meio, e manter climatizado, sem névoa e sem fumaça, um volume de ar onde cabiam dezenas de milhares de pessoas fumando no calor de Houston.
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FONTESFontes
- Inventaire du patrimoine architectural, Région de Bruxelles-Capitale (urban.brussels), "Atomium", 2018 — monument.heritage.brussels
- Virginie Coumans, Archives de l'Atomium, Inventaire n° 8, Archives de la Ville de Bruxelles, 2004 — archives.brucity.be
- Patrimoine industriel Wallonie-Bruxelles, "La construction de l'Atomium: un fameux défi", 2010, a partir da revista Acier Stahl Steel, julho e agosto de 1958 — patrimoineindustriel.be
- Atomium asbl, "The construction of the Atomium" — atomium.be
- Atomium asbl, "Renovation of the Atomium" — atomium.be
- Atomium asbl, "Expo 58" — atomium.be
- Atomium asbl, "Copyright" — atomium.be
- RTBF, "L'Atomium, tout une histoire !", 08/06/2020 — rtbf.be
- RTBF, "Patrimoine : avec une santé de fer, l'Atomium célèbre son 65e anniversaire", 17/04/2023 — rtbf.be
- Gazet van Laakdal, "Atomiumbouwer Frans Cools", 18/03/2023 — gazetvanlaakdal.be
- L'Avenir, "20 ans après sa rénovation, l'Atomium est prêt à écrire un nouveau chapitre", 13/02/2026 — lavenir.net
- VRT NWS, "20 ans de rénovation de l'Atomium : entre sciences et innovations", 16/02/2026 — vrt.be
- Wikimedia Commons, "Copyright rules by territory/Belgium", seção sobre liberdade de panorama — commons.wikimedia.org
- Wikipédia em inglês, "Atomium" (ponto de partida; o trecho sobre o ensaio de vento cita o banco de dados Structurae) — en.wikipedia.org
Imagens
- Fig. 01 — A célula cúbica de corpo centrado do ferro, a forma que o Atomium reproduz. No edifício, o cubo está apoiado sobre um dos vértices: Solid State · Domínio público
- Fig. 02 — O canteiro da Expo 58 em 11 de abril de 1957, quando o Atomium tinha apenas o primeiro mastro de pé: Daan Noske / Anefo (Nationaal Archief) · CC0
- Fig. 03 — A desmontagem da Expo em 25 de novembro de 1958, um mês depois do fechamento. Os pavilhões foram desfeitos; o Atomium, que também deveria sair, ficou: Harry Pot / Anefo (Nationaal Archief) · CC0
