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Arquitetura do Impossível
Plataforma de gás no mar calmo ao entardecer, com quatro colunas de concreto claras saindo da água e um convés cheio de módulos, guindaste e torre, à direita de um céu amplo A Troll A no mar do Norte em julho de 2016. O que se vê é a menor parte: abaixo da superfície, o concreto desce 303 metros até o fundo. — Norsk olje og gass · CC BY-SA 2.0
Obra 29 · Mundo

Plataforma Troll A

Campo de gás de Troll, mar do Norte, a noroeste de Bergen, Vestland, Noruega · 1991–1996

Começar, meses depois de outra base da mesma construtora afundar por um erro de cálculo, uma torre de concreto de 472 metros, erguê-la num fiorde, fazê-la flutuar de pé até o alto-mar e assentá-la sobre 303 metros de água.

A Troll A é uma plataforma de gás que não está presa ao fundo do mar por estacas nem por âncoras. Fica de pé pelo próprio peso: uma base de células de concreto assentada a 303 metros de profundidade, no mar do Norte, a noroeste de Bergen, na Noruega, e quatro colunas que sobem até o convés. Da base ao topo são 472 metros.

Ela não foi construída onde está. Nasceu numa doca seca em Stavanger, cresceu flutuando num fiorde e, em maio de 1995, foi rebocada por sete dias até o campo de Troll, de pé, com mais de 200 metros de concreto debaixo d'água. É a estrutura mais alta que o ser humano já tirou do lugar. E começou a ser feita em 1991, nos mesmos meses em que a mesma construtora viu outra base de plataforma desaparecer no fundo de um fiorde em cerca de dezoito minutos.

FICHAFicha da obra

Por quêPôr em produção o campo de Troll, descoberto em 1979, que guarda cerca de 40% a 60% das reservas de gás da plataforma continental norueguesa, conforme a fonte e a data da estimativa. Em 1986, a Noruega fechou contratos de venda do gás de Troll a compradores europeus avaliados em 800 bilhões de coroas, o que exigia uma plataforma em 303 metros de água.o valor dos contratos aparece numa fonte só, o Museu do Petróleo da Noruega2+ fontes
Quem quisA Norske Shell, operadora do desenvolvimento do campo, que contratou a base de concreto em março de 1991. A Statoil, hoje Equinor, assumiu a operação da produção em 1996.o ano em que a Statoil assumiu a operação aparece numa enciclopédia e numa manchete de época2+ fontes
TipoPlataforma de gravidade de concreto armado do sistema Condeep: uma base de células cilíndricas sobre o fundo e quatro colunas ocas que sustentam o convés. Não tem estacas nem âncoras; fica de pé pelo próprio peso.2+ fontes
Quem construiuA base de concreto foi da Norwegian Contractors, a mesma empresa que construía as outras plataformas Condeep, inclusive a Sleipner A. O convés, de 22.500 toneladas, foi construído pela Aker Stord.o peso do convés vem de uma fonte só, a revista Offshore, de 19952+ fontes
Onde foi feitaA base começou numa doca seca em Hinnavågen, em Stavanger, e foi terminada flutuando no fiorde junto a Vats, no norte de Rogaland, onde recebeu o convés.2+ fontes
PrazoContrato em março de 1991; obra iniciada no verão ou em setembro de 1991, conforme a fonte; convés acoplado em 25/01/1995; reboque de 10 a 17/05/1995; produção desde 09/02/1996; inauguração oficial pelo rei Harald V em 19/06/1996.a data do acoplamento e a da inauguração vêm de uma fonte cada2+ fontes
OperáriosMais de 2 mil pessoas na construção da base, segundo a Norcem, fornecedora do cimento. Só o convés consumiu 3,4 milhões de horas de trabalho na Aker Stord. Pico, jornada e salários não foram registrados nas fontes consultadas.1 fonte
Mortes e acidentesNenhuma fonte consultada registra mortos ou acidentes graves na construção, de 1991 a 1995, nem número oficial, nem contestado.sem registro
Custo4,15 bilhões de coroas norueguesas pelo contrato da base de concreto, em 1991, cerca de US$ 650 milhões ao câmbio da época. O convés e os equipamentos somaram mais 3,5 bilhões de coroas.o câmbio de US$ 650 milhões vem de uma fonte só; por ele e pelo índice de preços ao consumidor dos EUA (1991 = 136,2; 2025 = 321,9), a base equivale a cerca de US$ 1,5 bilhão de 2025; o custo do convés também vem de uma fonte só2+ fontes
Medidas472 m de altura total, dos quais 369 m de concreto. Assentada em 303 m de água, com saias de 36 m no solo. 245 mil ou 250 mil m³ de concreto, conforme a fonte, e 100 mil toneladas de armadura.uma fonte dá 302 m de profundidade; o volume de concreto divergediverge
Peso683.600 toneladas sem lastro, segundo a Aker Solutions; 656 mil toneladas no reboque, em outras fontes; 565 mil toneladas de peso seco, numa terceira. Com a água de lastro, em operação, passa de 1,2 milhão de toneladas.diverge
O reboqueDez rebocadores, oito puxando e dois governando por trás, a 1 ou 2 nós, por mais de 200 km. Durante a viagem, cerca de 245 metros ficavam acima da água e 225 abaixo. Em 17/05/1995 ela foi lastrada e assentada no fundo.o número de rebocadores e as alturas no reboque vêm do Museu do Petróleo da Noruega2+ fontes
EnergiaEm 2005, foi a primeira plataforma do mundo a receber energia de terra por corrente contínua em alta tensão, vinda de Kollsnes, para acionar compressores. Dois compressores de 50 MW foram acrescentados em 2015.2+ fontes
HojeOperada pela Equinor, completa 30 anos de produção em 2026. Desde 22/08/2026 recebe gás de um novo projeto submarino, o Troll Fase 3, etapa 2; em junho de 2026 os sócios aprovaram outro, o TWIN, previsto para 2028.2+ fontes
2+ fontes Confirmado em duas ou mais fontes independentes.1 fonte Uma fonte só; o texto diz qual.diverge As fontes discordam; mostramos as versões e não escolhemos.sem registro Ninguém registrou. Dizemos isso em vez de inventar.

01Um campo de gás em 303 metros de água

O campo de Troll foi descoberto em 1979, no setor norueguês do mar do Norte, a noroeste de Bergen. Era gás em quantidade suficiente para abastecer uma parte da Europa por décadas: segundo a Equinor, em 2026 Troll ainda atendia cerca de 10% da demanda europeia. O problema era a água. No ponto escolhido para a plataforma havia 303 metros de mar, mais fundo do que qualquer plataforma fixa de concreto tinha enfrentado até então.

A Noruega tinha uma resposta testada para o mar do Norte: as plataformas Condeep, da Norwegian Contractors. Desde 1975 a empresa erguia em fiordes bases de concreto formadas por grandes células cilíndricas, das quais subiam colunas ocas até o convés. A estrutura era levada flutuando até o campo e lá afundada de propósito, enchendo as células de água, até pousar no leito. Não precisava de estacas: o peso a mantinha no lugar. A Troll A seria a última e a mais alta delas.

FIG. 02As quatro colunas e o convés em junho de 2008.Swinsto101 · CC BY-SA 3.0

02Dezoito minutos no Gandsfjorden

Em março de 1991, a Norske Shell assinou com a Norwegian Contractors o contrato da base da Troll A: 4,15 bilhões de coroas. Em 23 de agosto do mesmo ano, de madrugada, outra base da mesma construtora, a da plataforma Sleipner A, fazia um teste de lastro no Gandsfjorden, junto a Stavanger. A estrutura descia na água de forma controlada quando uma parede de concreto se rompeu. Entraram quase mil toneladas de água por minuto. Em cerca de dezoito minutos a base estava no fundo do fiorde, a quase 200 metros. As 22 pessoas a bordo saíram sem ferimentos.

As investigações, com assessoria técnica do instituto SINTEF, chegaram à causa: a ligação entre as células, uma peça triangular chamada tricélula, tinha sido subdimensionada por erros na análise de elementos finitos, o cálculo por computador que divide a estrutura em pequenos pedaços. A pressão da água venceu uma parede mais fina do que deveria. O prejuízo aparece como 1,8 bilhão de coroas, segundo o Museu do Petróleo da Noruega, ou US$ 700 milhões, em outras fontes. A Shell, que tinha outra base em obra com a mesma empresa, a da plataforma Draugen, mandou parar a obra e refazer a verificação dos cálculos; a construção só foi retomada três meses depois.

FIG. 03Tripulantes de um navio diante da plataforma, em julho de 2016.Norsk olje og gass · CC BY-SA 2.0

03Uma torre que cresce flutuando

A base da Troll A começou a ser feita no mesmo ano, no verão ou em setembro de 1991, conforme a fonte, numa doca seca em Hinnavågen, em Stavanger. Quando a parte de baixo ficou pronta, a estrutura saiu flutuando. O resto subiu já no fiorde, junto a Vats, no norte de Rogaland, com o concreto lançado em fôrmas que se movem para cima sem parar, até as colunas atingirem a altura final.

O conjunto consumiu 245 mil ou 250 mil metros cúbicos de concreto, conforme a fonte, e 100 mil toneladas de aço de armadura; o Museu do Petróleo da Noruega compara a armadura ao peso de treze Torres Eiffel. Segundo a fornecedora do cimento, mais de 2 mil pessoas trabalharam na construção. Quantas no pico, em que turnos e com que salários, as fontes consultadas não dizem. Também não registram mortes nem acidentes graves na obra.

Havia ainda um risco que apareceu no meio do caminho. No começo dos anos 1990, ensaios com modelos de outras plataformas norueguesas mostraram que ondas íngremes podiam fazer colunas verticais vibrar de repente, num efeito batizado de ringing, como um sino de igreja depois da batida. Um artigo apresentado em 1994 na Offshore Technology Conference, em Houston, nos Estados Unidos, relata que os ensaios de modelo da Troll mostraram respostas maiores do que a prática de projeto previa, e descreve o trabalho feito para verificar a integridade da base.

FIG. 04Mais perto: as colunas de concreto encontram o convés, em julho de 2016.Norsk olje og gass · CC BY-SA 2.0

04O convés e a espera

Enquanto a base crescia, a Aker Stord construía o convés, com 22.500 toneladas de equipamentos de processamento e alojamento, segundo a revista Offshore. Em 25 de janeiro de 1995, ele foi levado a Vats e acoplado ao topo das colunas. A partir dali, a plataforma estava inteira, de pé no fiorde, e só faltava levá-la para o mar.

O reboque estava marcado para 2 de maio de 1995. O tempo não deixou. Segundo o Museu do Petróleo da Noruega, cada dia de atraso custava cerca de 2 milhões de coroas.

FIG. 05A base de células de uma plataforma Condeep em construção numa doca seca de Stavanger, entre 1990 e 1992. O acervo identifica a obra como Sleipner.Knudsens Fotosenter / DEXTRA Photo, Norsk Teknisk Museum · CC BY 4.0

05Sete dias de reboque

Na tarde de 10 de maio de 1995, a Troll A deixou Vats. Dez rebocadores faziam o trabalho: oito puxavam e dois, atrás, governavam a direção. A velocidade era de um a dois nós, poucos quilômetros por hora. Cerca de 245 metros da plataforma ficavam acima da água e 225 abaixo, e a rota tinha de evitar trechos em que o fundo subia: o ponto mais raso tinha 237 metros, segundo os engenheiros responsáveis pela instalação. No dia seguinte o vento chegou a 40 nós, com ondas de cinco metros. Oitenta jornalistas de nove países acompanharam a viagem.

Em 15 de maio, o comboio estava vinte horas adiantado. Em 17 de maio, Dia da Constituição da Noruega, a plataforma foi lastrada sobre o campo e desceu até o fundo, a 303 metros. As saias de concreto sob a base, feitas para segurá-la num solo mole, penetraram 36 metros no leito, profundidade que os engenheiros descreveram como recorde. A produção de gás começou em 9 de fevereiro de 1996, e o rei Harald V inaugurou a plataforma em junho daquele ano.

06Trinta anos depois

Com o tempo, o reservatório perdeu pressão, e o gás passou a precisar de ajuda para subir. Em 2005, a Troll A tornou-se a primeira plataforma do mundo alimentada por energia de terra em corrente contínua de alta tensão, por cabos de cerca de 70 quilômetros vindos de Kollsnes, para acionar compressores. Em 2015 entraram em operação mais dois, de 50 MW cada. Em 2006, a cantora Katie Melua fez um show dentro de uma das colunas, a 303 metros abaixo do nível do mar.

Em 2026, a plataforma completou 30 anos de produção. Em 22 de agosto, entrou em operação o Troll Fase 3, etapa 2, um projeto submarino que leva à Troll A o gás de outra parte do campo e antecipa a produção de 55 bilhões de metros cúbicos, quase dois anos de consumo da França, segundo a Equinor, que o concluiu antes do prazo e abaixo do orçamento de 12,3 bilhões de coroas. Em junho, os sócios já tinham aprovado mais um, o TWIN, de 4 bilhões de coroas, com produção prevista para 2028. O gás novo continua subindo pelas mesmas colunas de concreto que atravessaram o mar em maio de 1995.

MITOSO que circula e o que o registro diz

  • O que circula

    A Troll A é o objeto mais pesado já movido pelo ser humano.

    O que o registro diz

    O recorde do Guinness de objeto mais pesado já movido pertence a outra plataforma norueguesa de concreto, a Gullfaks C, rebocada em 1989 com 1,5 milhão de toneladas de deslocamento. O recorde da Troll A é de altura: é a estrutura mais alta já movida.

  • O que circula

    Ela pesa 1,2 milhão de toneladas.

    O que o registro diz

    Esse é o peso com a água de lastro, em operação. A estrutura em si pesa entre 565 mil e 684 mil toneladas, conforme a fonte e o que se mede: peso seco, peso no reboque ou peso sem lastro.

  • O que circula

    O concreto foi sintonizado para evitar ressonância acústica no fundo do mar.

    O que o registro diz

    Nenhuma fonte técnica fala em ressonância acústica. O problema real foi o ringing, a vibração súbita de colunas atingidas por ondas íngremes, que levou os engenheiros a verificar a estrutura em ensaios de modelo.

  • O que circula

    A Troll A é uma plataforma flutuante.

    O que o registro diz

    Ela flutuou só durante a construção e o reboque. Desde 17/05/1995 está assentada no fundo do mar, a 303 metros, presa ao solo por saias de concreto de 36 metros.

PERGUNTASPerguntas frequentes

Qual a altura da plataforma Troll A?

São 472 metros da base, no leito do mar, ao topo, dos quais 369 m de concreto. Ela está assentada sobre 303 metros de água, por isso a maior parte da estrutura fica abaixo da superfície.

Quanto pesa a plataforma Troll A?

As fontes divergem conforme o que se mede: 683.600 toneladas sem lastro, segundo a Aker Solutions, 656 mil toneladas no reboque ou 565 mil toneladas de peso seco. Com a água de lastro, em operação, passa de 1,2 milhão de toneladas.

Como a plataforma Troll A foi construída e levada para o mar?

A base começou numa doca seca em Stavanger e foi terminada flutuando num fiorde junto a Vats, onde recebeu o convés. De 10 a 17 de maio de 1995, dez rebocadores a levaram de pé até o campo de Troll, onde foi lastrada e assentada no fundo, com saias de concreto de 36 m cravadas no solo.

Onde fica a plataforma Troll A?

No campo de gás de Troll, no setor norueguês do mar do Norte, a noroeste de Bergen, na Noruega. Ela não é flutuante: está apoiada no fundo, a 303 metros de profundidade, e fica de pé pelo próprio peso, sem estacas nem âncoras.

Quanto custou a plataforma Troll A?

O contrato da base de concreto, em 1991, foi de 4,15 bilhões de coroas norueguesas, cerca de US$ 650 milhões ao câmbio da época. O convés e os equipamentos somaram mais 3,5 bilhões de coroas.

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FONTESFontes

  1. Ole Jone Eide, Norsk Oljemuseum, "Troll A – giant move from fjord to field", 2022 — equinor.industriminne.no
  2. Norsk Oljemuseum, "How large is a troll?" — equinor.industriminne.no
  3. Björn Lindberg, Norsk Oljemuseum, "Sleipner A GBS lost and replaced" — equinor.industriminne.no
  4. Finn Harald Sandberg, Norsk Oljemuseum, "The Sleipner sinking and Draugen", 2018 — draugen.industriminne.no
  5. Norsk Oljemuseum, "The ringing phenomenon", 2018 — draugen.industriminne.no
  6. R. V. Ahilan, Ø. M. Klaas e I. Langen, "Analysis of Dynamic Transient Response (Ringing) in a Gravity-Base Structure", Offshore Technology Conference, 1994 — onepetro.org
  7. E. Andenæs, E. Skomedal e S. Lindseth, "Installation of the Troll Phase I gravity base platform", 1996 — osti.gov
  8. Aker Solutions, "Troll A (Condeep) concrete gravity-based structure" — akersolutions.com
  9. Heidelberg Materials (Norcem), "Troll A" — sement.heidelbergmaterials.no
  10. Guinness World Records, "Heaviest man-made object moved" — guinnessworldrecords.com
  11. Store norske leksikon, "Troll – petroleumsfelt" — snl.no
  12. Store norske leksikon, "Norwegian Contractors" — snl.no
  13. Offshore Magazine, "Troll and Heidrun: end of an era or forerunners of a modern world?", 1995 — offshore-mag.com
  14. ABB, "ABB completes Troll A platform's second power-from-shore system", 2015 — new.abb.com
  15. Equinor, "More gas for 30-year-old Troll A", 25/08/2026 — equinor.com
  16. Equinor, "Expanding Troll: more gas to Europe", 19/06/2026 — equinor.com
  17. Offshore Technology, "Equinor starts production at Troll phase three, stage 2 in North Sea", 2026 — offshore-technology.com
  18. Martin Jansen, Vi Menn, "Slepet av Troll A – en utrolig norsk ingeniørbragd", 2025 — klikk.no

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